UNIVERSITÁRIA DOCENTE EFETIVA
Em 2004, surge a vaga da querida Profa Dra Izabel Rubira Bullen e a FOUFBA abre concurso para a RADIOLOGIA! Adrenalina novamente em produção máxima, preparação de tudo, documentos, memorial, inscrição, prazos, estudo e confecção dos pontos para as aulas, provas... Dia do sorteio do ponto, todos os pontos envolviam Radiologia, minha área, exceto “Doenças imunológicas” e eis que o ponto sorteado para mim foi o próprio. Nem dormi, banca composta por um dos maiores estudiosos destas doenças. Cheguei mais cedo e aproveitei para trocar ideias. Encontrei a Profa Dra Luciana Ramalho, uma querida amiga atualmente, conversei sobre como conduziria a aula, ela me ouviu, semblante de preocupação nitidamente desenhado no rosto, ela da área, sabia que o tema era complexo, ao final apenas disse: “Faça bem feito, dê o recado e só!”
Tempo de aula combinado com André, olhar para relógio, contar slides, ponteira que vibra, nada disso é prudente, te desconcentra, a banca percebe, pode falhar. André levantaria e sairia da aula quando restasse 10 minutos para meu tempo acabar e assim foi, aula limpa, conteúdo atual, referências sinalizadas (até a banca citada), “nada errado”, missão cumprida!
Defesa do memorial, brilho nos olhos, Profa Dra Jane Matos, uma referência da Radiologia como presidente da banca, questionamentos feitos e ela me faz a pergunta mais difícil para o momento: - “Profa Iêda, vejo que você traz consigo uma importante bagagem com a pesquisa. Afinal, o que deve prevalecer neste cargo que você agora se candidata a ocupar: a pesquisa ou o ensino?” Pergunta tortuosa, imaginei na hora, mas a resposta era própria do meu pensar: “No meu pensar e agir Professora, ensino e pesquisa são indissociáveis. Um engrandece o outro e vice-versa, um é feito para o outro!” Anos depois, vi um grupo de alunos brincando com as características e manias de cada professor, e eis que a minha era: “Toda aula da Professora Iêda tem uma pesquisa, um artigo!”. Dessa forma vejo minha atuação contemplando o que respondi à Profa Jane.
Momento de divulgação do resultado. Quem nunca assistiu na FOUFBA, tem que assistir, é um teste e tanto para a função cardíaca, lembra apuração da escola de samba do Rio de Janeiro... vai aparecendo item por item dos candidatos e das etapas. Aprovada em primeiro lugar e em seguida a frase de um membro da banca: “A candidata ganhou no arriar das malas!” Que reconhecimento, construí essa aprovação!
Aprovada, continuei o PRODOC e auxiliando Prof Paulo na Disciplina e na Especialização. Neste ínterim, ganho meu outro presente: Catharina. Presente para Arthur (à época, com 4anos) e família também. Sim, fiz tudo que me ensinaram, direitinho e formei este lindo casal! Em setembro de 2004, assino finalmente os papeis como Professora Ajunta da FOUFBA. Em Novembro, Catharina nasceu esplendorosa! Ela realmente disse a que veio, encher nossa vida com intensidade, motivo de relatórios constantes de Arthur! Ela é poderosa! Mantive-me por perto da FOUFBA como forma de auxiliar com o afastamento temporário de Prof Paulo, um reconhecimento a tudo que ele é e o que a FOUFBA representa para ele.
Ao assumir totalmente meu cargo na FOUFBA deixo penetrar todo compartilhamento de saberes com alunos, com colegas, tentando aconchegar-me no ambiente que já me era familiar. Sim, ainda encontrando minha personalidade, confesso a exigência mais aflorada com os alunos neste início. Registro aqui uma passagem vivida pela minha querida amiga, Profa Dra Luciana Valadares, então aluna. Todos os dias a Radiologia Básica realiza mini-teste, eis que um dia, a mesma, bastante agitada como de costuma, solicita aos colegas o empréstimo de uma caneta levando a atraso para realização deste e tumulto. Eu apenas disse: “O mínimo que um aluno deve ter Luciana é uma caneta!”. Essa história ele conta até hoje! A exigência ainda permanece, mas dilui-se na fala, na compreensão, no cultivo de virtudes mais preciosas como a segurança da postura, a saúde mental e a certeza do companheirismo de todos.
Irradiando compromisso e felicidade literalmente, por incentivo do Prof Dr Jean Nunes, submeti meu nome à Pós-graduação stricto sensu da FOUFBA. Aceita, conduzi componentes curriculares incluindo aulas práticas, auxiliei na tentativa de organização e inserção dos pós-graduandos na graduação, assim como em atividades extra-curriculares como o clube do jornal, fui membro do Colegiado em uma gestão e participei de duas seleções para entrada de discentes no Programa.
Aqui um pouco, do muito que se constrói numa pós-graduação que é sua casa:
Em recente reunião com o Colegiado da P-G, expressei pontos de vista que entendo ser importantes e um deles refere-se à participação maior de alunos da graduação no Programa, como alunos especiais. Isto é fundamental, pois proporciona uma visão diferenciada e aprofundada. Pode ser implementada de forma gradativa e sem interferência na evolução dos mestrandos e doutorandos, pelo contrário, produzindo com eles. Deixei, e aqui registro, a seguinte reflexão que tive sobre essa trajetória: Como docente posso auxiliar a capacitação profissional de diversas formas, então, por que, para mim, é importante estar na P-G? Reflito: Pesquisar? Faço isso na graduação também! Obter recursos? Diretos do Programa, nunca tive; consigo fora também. Pontuar para progressão? Minhas outras atividades garantem excedente de pontuação... Então, estar na P-G é estar com amigos, colaborar com eles nessa titulação... Seria esse o único motivo! Inclusive adotei o termo colaboradores de pesquisa, nada de orientador e orientando. Sigo fazendo.
Um capítulo à parte, sentido majoritário da carreira docente, inspirador, é o ensino, palavra que pesa, um tanto fora do que entendemos hoje ser essa relação de aprendizado mútuo e contínuo. Aqui abordarei como construção ampliada e compartilhada. Desde sempre, sinto-me confortável nesse processo, o início é um tanto inseguro, mas a vontade e a vocação superam qualquer momento trêmulo, além disso, encontro parceria na maioria dos alunos. A interlocução nesta relação é fundamental, é a base de tudo! Estar à frente com o saber durante uma aula deve ser motivo para aproximação do novo, do desconhecido, do momentaneamente aluno. Sim, tive muito alunos, momentaneamente alunos, colegas de UFBA, colegas de profissão, amizades de coração! Sem distinção de nível de curso, graduação é uma intensidade só, cumprir cronograma, acompanhar desenvolvimento. Recomendo deixar tudo muito claro logo no início dessa relação, como por exemplo, o que esperar dele acerca do conteúdo trabalhado e as características esperadas no ambiente de aprendizado. Daí, é navegar junto e logo o leme, o ritmo será dado pelo aluno. No mínimo, compartilhei momentos tensos e maravilhosos com mais de 1000 pessoas, à época ocupando o momento aluno (embora alunos sejamos sempre). Que grande oportunidade essa relação permite, rica demais.
Poderia citar diversos alunos momentaneamente alunos, mas seria injusta, certamente não caberia aqui. Contarei breves relatos onde muitos se encontrarão. Sempre mantivemos o programa de monitorias muito ativo e ele é bastante marcante. A radiologia torna-se sua casa, nela uma única regra: respeito ao outro, ao ambiente e à sua proposta:
- Um monitor, Christiano ocupou esta função sendo iniciação científica, sim, a proposta é viver a Radiologia, foi meu primeiro bolsista de IC. Extremamente dedicado, meu braço direito; aparelho novo, C instalava; precisamos de software, C vamos procurar; Software encontrado, testado ok, C aprende tudo aí e vamos trabalhar. - Tudo aprendido, ele disse. Eu: - Ok, mas e se você morrer, como ficarão os outros alunos para aprender, registra tudo por favor! Até hoje ele conta esta história, melhor que eu! Se tornou meu colaborador de pesquisa ao ser aprovado no mestrado da FOUFBA e a ele coube trabalhar na linha de pesquisa mais amada “Diagnóstico tomográfico das lesões intra-ósseas benignas dos maxilares”, produziu tudo com extrema competência e fez sua defesa à altura publicando o resultado na Oral Surg Oral Med Oral Pathol. Fez a especialização em radiologia conosco, hora de ir para o doutorado, por opção foi para USP Bauru, decisão acertada. O acompanhei de longe, sempre foi de voos altos, fez doutorado sanduiche na Bélgica. Honrada estava na defesa de seu doutorado, chorei, nada de aluno-professor, amigos. Fez seleção para uma Faculdade privada em Salvador, ficou em segundo lugar. Contou-me que faria a seleção docente para USP Ribeirão Preto, confesso que senti uma pontada de saudade antecipada, seria ótimo tê-lo mais perto. Aprovadíssimo, hoje reconhecido professor, querido por todos. Palestramos juntos e pude testemunhar como os alunos se identificam com ele, além de todos os títulos que possui, cargos e participações em Programas de P-G. Orgulho!
- Um determinado monitor, Frederico, era extremamente presente; intervalo entre as aulas, olha ele na Radiologia; Congresso à vista, vinha já com pedido para levar trabalho; Edital de Iniciação Científica era furo jornalístico dele; aula de Prof Paulo fora da Faculdade, já vinha o autoconvite... mas tudo era de uma sinceridade e sem segundas intenções. Quando algo lhe era negado, nem parecia, vida normal que segue (quase nada lhe negávamos, era impossível, ele encontrava a solução). Extremamente produtivo, inquieto de um coração acolhedor a tudo e a todos. Se identificou com a Radiologia e não aceitava menos queria P-G na área, só servia na área. Se inscreveu e foi aprovado na UNICAMP e lá ficou, mestrado e doutorado. Não havia semana que não nos falássemos, dias talvez, era possível. Sabia de cada seminário, das confusões que ele aprontava e fez da UNICAMP sua maior aliada, amigo de todos, competência a toda prova, conquistou seu doutorado sanduiche na Dinamarca. Um pouco mais distantes, mantínhamos algum contato, sempre atualizações sobre concursos que ocorreriam. Fui honradíssima banca de sua tese! Em meus agradecimentos finais disse: “Muitos convivem conosco, muitos passam por nós, alguns seguem por um tempo, monitoria, pesquisa, pós-graduação e poucos seguem nossa trajetória tão de perto! Vejo nestes um pouco do que somos!” Ele se preparou para enfrentar o concurso da UFBA, extremamente concorrido! Demais inscritos eram colegas de turma dele, imaginem a pressão para ele! Jamais percebi, pois ele foi gigante, impecável! Aprovado em primeiro lugar! E que hora ele chegou, a hora de ocuparmos a Radiologia pós-reforma, sem ele certamente ela seria menos perfeita do que é! Ele costuma dizer que “Se nos dias que antecederam a inauguração nós não viramos inimigos, nada mais o faria!” Verdade, montamos tudo, do adesivo ao aparelho, de cada encomenda a cada pagamento, só nós! Orgulho!
- Amigos de uma vida, monitores ou não, alunos da especialização, Prof Dr Nilson Pena, Profa Dra Luciana Freitas, Profa Dra Janaina Dantas, Profa Dra Daniela Pita, Prof Dr Saulo Melo e Profa Dra Mady Crusoé são parte importante de minha construção. Nilson me desafiava a cada aula, com todo conteúdo estudado antecipadamente, ele era a sequência da aula, fizemos muita coisa juntos e ainda fazemos, sempre bons frutos. A serenidade e competência de Luciana em tudo que fazemos juntas até hoje é uma atração eterna em pesquisa e ensino. Como não contar com Janaína a todo momento, de um café a uma aula corrida? Dani, um orgulho de carreira e me mantem próxima pelas atividades em comum de forma que, mesmo ficando semanas sem nos falar, basta um direct para parecer que nos falamos todos os dias. Saulo, um impulsionador de minha carreira, com uma história belíssima, aluno da especialização, único que ficava até o final aos sábados, mais tivesse, lá estava ele, mestrado e doutorado-sanduiche em Louisville (KY-EUA) pela UNICAMP, o universo abre o caminho dele colocando-o em segundo lugar na UFS e ele ganha mundo. Hoje, com título da Residência em Radiologia Maxilofacial por IOWA, Professor da Universidade do Oregon! Mady, meu coração na Faculdade e fora dela, traçou seu próprio caminho brilhante, hoje, Profa do curso de Medicina da UNEB e colocando o pé na Radiologia (juro que não influenciei). Orgulho de vocês todos!
- E as meninas superpoderosas: Profa Dra Marianna Torres, Profa Dra Ludmila faro, Profa Dra Manuela Andion e Profa Dra Vanessa Guimarães da melhor forma o universo encontrou caminhos para nos deixar próximas, muito próximas, sintonia melhor não há. O olhar sobre o diagnóstico nos atrai, mas também a confiança e amizade que temos umas nas outras. Orgulho meninas, cada momento com vocês é especial, acreditem! Mari, desde sempre, o lugar cativo no coração, obrigada!
- E as amigas fiéis, aquelas que são amigas do marido, dos filhos, da família, aqui represento por Dra Mirla Rodrigues! Orgulho, amiga, de tudo que vivemos juntas e essa construção que fizemos juntas! Poderia ser Dr Igor Germano, Dr Raphael Cangussu, Milene Coelho, Elisa Kauark, Aline Seixas, Luara Martins, Lorran...
- E monitores alunos atuais, vida presente, felicidade garantida!
“A melhor parte da vida de uma pessoa está nas suas amizades.”
Abraham Lincoln

Com mais responsabilidades assumidas, a inquietação conduz-me a propor a Prof Paulo e Profa Izabel uma reforma do espaço físico da Radiologia, pois exibia características de degradação, estalactites e estalagmites, ausência de vidros nas janelas, condições, no mínimo, inadequadas. Capitaneados pela Profa Izabel, com seu senso institucional que admiro tanto, fomos levados até a Pró-reitora de Planejamento a época Profa Dra Dora Leal que explicou claramente sobre a ausência de recursos das Universidade Públicas, mas sensível ao nosso pleito, nos norteou aos primeiros passos e planejamento junto a SUMAI (projetos, plantas, alvarás, etc...). Daí começou toda a via crucis: idas e vindas, reuniões com a equipe da Radiologia para decidir o melhor para o ambiente, reuniões técnicas de obras, agendamentos para visitação, desmarcações, cancelamentos, ligações, cobranças, novos agendamentos, vistas técnicas, trocas de arquitetos, trocas de engenheiros, mais agendamentos, mais visitas, mais cancelamentos... Ouvi muito nessa época: “Iêda essa obra não sairá!” “Essa obra é mais uma lenda” muita, muita fala. Eu: confiante, otimismo em pessoa! Em 2008, projeto pronto, aprovado por todos, equipe de Professores, arquitetos e engenheiros, descobrimos que alguns projetos, a UFBA não fazia (hidraúlico, elétrico...). Acordado com Prof Paulo começamos a usar o dinheiro da Coordenação e da Vice da Especialização, que seria oficialmente remuneração dele e minha, para a obra e necessidades futuras. Dicas de vida em Instituição pública atual no Brasil! Essa postura foi muito importante para nós. Além do recurso para a obra, mantivemos uma estagiária ligada ao curso que foi a mola propulsora da Radiologia, graduação e Pós, foi fundamental nesta etapa e até hoje tem um enorme significado na minha vida, a enfermeira Andrea Santos. Minha gratidão!
Projetos e alvarás em mãos, voltamos à reitoria, agora Profa Dora era a reitora e Profa Izabel, a Pró-reitora de Planejamento. Que equipe! Mulheres admiráveis!! Mas os recursos eram os mesmos, Profa Izabel novamente nos lança uma luz: como único serviço a prestar atendimento pelo SUS no Estado da Bahia - e que volume de atendimento! - devidamente publicado em minha fase de mestrado, recorremos para aumentar esse atendimento através de um convênio com a SESAB. Nova saga, idas e vindas a SESAB, reuniões, mais papéis, reuniões, projetos, planos burocráticos de liberação de verba, de uso de verba.... Convênio firmado, etapa da licitação, empresa contratada, reuniões, desloca-se a Radiologia para um ambiente provisório adaptado na gestão de Prof Marcel. Por um tempo atendíamos sob escombros, mantive a moral da turma informando ser um momento para treinarmos “atendimento em guerra”! E assim seguíamos. Obras lentamente acontecendo, sempre sob meu olhar, olhar de prof Paulo, olhar de Prof Marcel, mas indo. Então, funcionários sumiram, obra abandonada... Juntei forças com o DA, mobilizamos a FOUFBA para pleitear à reitoria melhorias na FOUFBA e unimos essas necessidades gerais com a solicitação do retorno da obra da Radiologia, ocupamos civilizadamente a reitoria e fomos recebidos. Sensibilizada, a reitoria sinaliza que tomará medidas para retorno. Novas visitas, fiscais registrando estado atual, seguimos.
Participei de todas as atividades que me foram delegadas, acredito até que além, mas, faz parte, inclusive da minha intensidade, presente em tudo! Comissões, Sindicância, outros.
Integrante da equipe de Prof Paulo, junto com Daniela Pita e colegas, ganhamos o Edital Universal CNPq e com este o PRIMEIRO TOMÓGRAFO PRÓPRIO de uma Faculdade de Odontologia Federal, nosso CS 9000 (Carestream Health). Motivo de muito orgulho e abrindo diversas linhas de pesquisa para toda a Faculdade. Coordenei e conseguimos fomento da FAPESB para o estudo de aspectos clínicos e radiográficos da Anemia Falciforme, gerando resultados excelentes, firmando parcerias importantes com Hospital das Clínicas, ICS e Hemoba.
Destaco que a convite de Prof Marcel (olha que “o mundo é uma esquina”) fui membro do Colegiado de curso, ambiente fundamental para quem quer viver a Universidade, seja docente, discente ou funcionário! Eis que, num determinado dia, Profa Izabel convida-me a uma conversa na direção, essas conversas com ela eram sempre fatais, ela nutri a conversa numa mistura bem temperada de fundamentos institucionais, com tanto amor envolvido, que você tem a certeza de ter tomado a decisão certa, a que ela te propôs! Com esse poder, ela me convenceu a candidatar-me à coordenação do Curso de Odontologia, com o fim do mandato de Prof Marcel. E assim, em uma conversa com Prof Falcão, que também tinha interesse no cargo, assumi a Coordenação do curso de Odontologia da UFBA com enorme honra e compromisso junto com Prof Dr Paulo Vicente que fez toda diferença no mandato (olha que “o mundo é uma esquina”)!
Relatarei aqui, minha primeira incursão oficial no cargo, na certeza de representar com fidelidade quem sou, como atuo e o que é esse cargo: como membro do Colegiado percebia que muitas ações e decisões eram polêmicas! Como coordenadora, estudei, busquei onde poderia encontrar todas essas informações. Encontrei muitooo pouco, Estatuto e Regimento da UFBA. Apoiada pelo braço direito e esquerdo por Rosana Regner (recém empossada na FOUFBA como secretária), agendamos e fomos ao gabinete do Pró-reitor de graduação, representante máximo do assunto, que foi previamente estabelecido. Pró-reitor Prof Dr Ricardo nos recebeu e convidou sua assessora Profa Dra Terezinha Bahiense. Relatei tudo, nossa aflição, as dúvidas mais recorrentes. Muito atento, ele respondeu-me: “Professora, somente um lugar talvez contenha todas as respostas para suas dúvidas: a Bíblia!” Sabedoria!
"O saber a gente aprende com os mestres e os livros.
A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes."
Cora Coralina

Motivada a exercer o bom senso pautado nas normativas da UFBA e da “Bíblia” construímos uma gestão bastante participativa com os Professores e ativamente com os alunos. Deste período, demos continuidade a mudança do Projeto Pedagógico da FOUFBA (quase finalizado na gestão do Prof Marcel) e enviamos no final da gestão para as instâncias competentes da UFBA; mergulhamos na preparação dos alunos para o ENADE, atendendo a toda a burocracia solicitada pelo MEC, promovemos aulas abertas com os formandos, motivamos os alunos e assim saímos da nota 3 no ENADE para 4. Uma vitória de todos, professores, funcionários e, principalmente, dos alunos que estavam muito empenhados e motivados. A FOUFBA agradece, queridos alunos! Construímos a regulamentação das Atividades complementares com ampla possibilidade de aproveitamento, contribuindo assim com a proposição de aproveitamento mais flexível e universal para o aluno de Odontologia. Junto com o DA e PET, discutimos e, após construção de um instrumento adequado, consultas e Seminários na FOUFBA com Prof Dr Virgilio Bastos (Superintendente de Avaliação e Desempenho Institucional), realizamos a avaliação do Curso de Odontologia. Estas três últimas ações são atuais, com importante reflexo no Curso hoje. No ENADE 2020, agora, fomos a nota máxima, CINCO! É caminho construído por todos!!!
A avaliação do curso foi um período bastante intenso, mas necessário, pois, a realidade fomentava um olhar mais crítico por parte de todos. Alunos apoiaram veementemente mas, houve resistência por parte de alguns Professores com críticas ferozes como: “Como assim, aluno avaliar Professor?”, “Como assim, divulgar estas avaliações?”. A avaliação era presencial nas duas últimas semanas de aula de cada semestre pelos alunos do DA e do PET, acompanhados por Professores na sala de avaliação. Em seguida, sob sigilo, estes dados eram tabulados na sala do PET com a supervisão da tutora Profa Dra Mariangela Mattos, gráficos eram gerados individuais, por disciplina e por Departamento. Estes dois últimos gráficos eram expostos em banners nos murais da FOUFBA. Os individuais, eram de conhecimento apenas do próprio professor e da Coordenação do Colegiado. Eu e Prof Paulo Vicente, chamávamos individualmente professores cuja avaliação quantitativa e qualitativa era preocupante! Alguns rasgaram na minha frente. Ao escrever, sou capaz de reviver cada burburinho e cada “disse me disse” que esta avaliação gerou, mas também sou capaz de admitir melhora substancial na relação aluno-professor e na visão crítica de todos. Sim, é conquista da FOUFBA! Tem reconhecimento da própria UFBA que fez seminário geral sobre o tema e pude palestrar junto com Profa Mariangela apresentando nosso modelo a todos os cursos, o instrumento hoje a ser adotado pela UFBA tem como base o nosso. Devemos lutar por sua permanência e evolução.
Cumprido meus dois anos, abri processo eleitoral para minha sucessão, com êxito da Profa Dra Andreia Figueiredo, melhor sucessão impossível, membro do colegiado, foi participante de toda esta construção, tornando-se uma amiga de pensamento afinado!!! Aprendo muito com ela, sempre!!!
Aqui deixo meu pensar sobre recondução, muito pessoal: Cumpro um mandato, acredito muito que o ocupante de qualquer cargo deve vir e cumprir o que se propõe no tempo estabelecido, recondução só em casos excepcionais! Ocorre desgaste de todas as partes!
Pude representar a FOUFBA em diversos Congressos com apresentações de trabalhos, envio de trabalhos com alunos, como Palestrante – muito orgulho em falar de temas de pesquisa com alta tecnologia nas duas últimas edições da SNNPqO – nacionais e internacionais. Estive junto com a Profa Dra Patricia Cury fazendo um treinamento no Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) em Campinas, no Laboratório de Tecnologias Tridimensionais, um projeto primoroso. Assim meus horizontes se abriram para minha mais recente linha de pesquisa no universo digital, na inteligência artificial, com a qual pude estabelecer parceria profícua com colegas do Departamento de Ciência da Computação, liderada pelo Prof Dr Antonio Apolinário. Exemplo desta parceria foi a conclusão recente do projeto inovador de dissertação da Cirurgiã-Dentista Mayara Simões. Seguimos inovando, Prof Joaquim Dultra, com sua mente inquieta e muito inteligente, propôs um guia inovador para mentoplastia, incorporado a uma avaliação metodológica rebuscada, ambos inovadores, sob minha parceria. Realizei visitas técnicas à Universidade de Oslo, Universidade de Barcelona e Universidade de Lisboa, todas com afastamento oficial. Entendo que essa troca é substancial para a construção de uma graduação, ensino e pesquisa com real olhar na globalização.
Três de janeiro de 2015, saio para o segundo Pós-doutorado. Este era outro sonho: conviver e compartilhar conhecimento com Prof Willian Scarfe, uma referência mundial da radiologia, no diagnóstico por imagem na Universidade de Louisville, Kentucky-EUA.
Nada cai do céu, este Pós-doutorado foi conquistado e aqui vão dicas: 1- Vá a Congressos e apresente-se à pessoa palestrante que você intenciona aproximar-se. Normalmente, são gentis, compreendem essa busca! Apresente-se à altura, fale um pouco de quem você é, o que te interessa ou fez! Convide para conhecer seu estado ou cidade, seja gentil. Havendo abertura, pergunte se pode trocar e-mails (mais formal, sugiro). 2- Estude a Faculdade de origem da pessoa, propostas, programas, assim como os possíveis editais pelo Brasil para viabilizar sua ida. 3- Envie e-mail gentil, perguntando se a pessoa lhe receberia para uma vista de uns dois dias, que você gostaria de conhecer a estrutura, etc... e vá! 4- Conheça e proponha um estágio, estudo e/ou pesquisa. Sim, foi exatamente assim, comecei esse “enlace” desde um Congresso em SP em 2013 e tudo fluiu bem. Submeti um projeto na CAPES e no CNPq em 2014, ambos aprovados. Fui com fomento CNPQ.
O período de compartilhamento fora de seu ambiente é uma experiência DE VIDA! Em Louisville, a admiração por Prof Scarfe só aumentou. Pesquisador refinado, docente nato, um gentleman desde o cuidado com o local em que eu iria morar, ao café da manhã todo dia, pontualmente 9hs., até me recomendar ir embora às 17hs., todos os dias, como todos! Nada faltou, aprendizado, tormentas (literais e metafóricas), saudades aliviadas pela mente sempre ocupada em aprender cada centímetro daquela Faculdade e do inglês, claro. Sim, fiz curso de inglês à noite, durante todo o tempo em que lá estive! Uma dificuldade sentida no início foi a individualidade de cada um, talvez a maior dificuldade para um brasileiro que é gestual, gosta de pegar, abraçar. Fascinante trabalhar com Radiologia, conteúdo comum numa cultura distinta, ao lado de Bruno Azevedo, um gigante de conhecimento, um primo que fiz lá, e Prof Dr Marcelo Sales. Marcelo, parecia que nos conhecíamos desde sempre, seria coisa de nordestino? Compartilhamos muito, e deles trouxe mais que o aprendizado incipiente na impressão 3D, a interpretação das imagens fantásticas do Accuitomo, a sensatez de escrita de Dr Scarfe, deixei a expertise com o Carestream, o conhecimento adquirido com as lesões intra-ósseas benignas dos maxilares e fomos cúmplices na aquisição das imagens de crânio seco da FOUFBA que deram origem a duas dissertações de Mestrado e quatro de doutorado e numa amizade que perdura até hoje.
Curiosidades vividas: No primeiro convite para um café às 9hs com Dr Scarfe, aceitei de pronto e disse que iria só fechar a porta de minha sala (sim, eu tinha sala, lá ficava meu notebook, bolsa e tudo mais). E ele me respondeu: Para que fechar a porta? Tentei explicar, mas claro que ele não compreenderia. Ele apenas disse: Não se preocupe, aqui ninguém entra nas salas que não sejam suas, sem convite.
Outra curiosidade: Na semana anterior ao meu retorno, o Brasil foi notícias nos jornais, alguma greve, ele de pronto me chamou à sua sala e disse: Como você vai voltar, pode ser perigoso? O tranquilizei informando já ter experiência com greves, difícil para ele compreender também.
Trago no coração, que nos dias antecedentes à minha chegada ao Brasil, a Profa Andreia envia-me um resultado das avaliações de curso. Os resultados das últimas dez avaliações foram compilados e estive em todas as dez avaliações, entre os cinco melhores Professores da FOUFBA! Fui Paraninfa ou Professora homenageada de quatro turmas com muito muito orgulho, imaginem uma professora do 4º semestre ser lembrada pelos formados, no 10º semestre, entre quase 90 professores, uma HONRA sem tamanho! Emoção única, vê-los chegar embalados por muitooo barulho, uma alegria contagiante e você sem chão, sem nem entender. GRATIDÃO! Até hoje para mim, os maiores reconhecimentos que já tive!!! Sem precedentes, sem palavras!!
“Não é o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos.
Não é o quanto damos, mas quanto amor colocamos em dar”
Madre Teresa de Calcutá

Eis que voltei na segunda semana de Julho de 2015 e a obra da Radiologia estava abandonada. A empresa havia solicitado aditivo financeiro. Ou seja, indícios de irmos para o começo de toda via crucis ou de ficar assim para sempre. Dia 31 de julho, apoiada “voluntariamente” pelo Diretor Marcel fui a SUMAI, com uma ata escrita em comum com Paulo, assumindo a obra com o recurso que guardamos da Especialização, seria a carta na manga após pressioná-los. A secretária perguntou se eu havia agendado para falar com o prefeito do Campus, Prof Dr Fabio Velame, um amigo de tantas reuniões pregressas. Respondi que não, mas que também não tinha pressa, podia esperar o tempo que fosse. No final da manhã ele me recebeu, afável como sempre. Após muitas ponderações, esclarecimentos dos riscos que corríamos, etc... ele concordou e assinou. Assim usamos os recursos que tínhamos e fizemos o melhor ambulatório de Radiologia Odontológica do Brasil, minha modesta opinião. Mas sim, de fato o é, pensado em tudo, moderno, contempla atendimento, ambiente de ensino, pesquisa e reuniões, adaptado inclusive para ampliar com rede elétrica e de comunicação adequadas. Eu e Prof Fred, como disse recém-empossado, usamos todo nosso tempo, paciência e amor para findar, de plotagem, a cortina, de móveis sob encomenda (nós mesmos desenhamos) a contornar uma infiltração com a solução e ajuda de André através de um belo revestimento até os mínimos detalhes para inauguração dia 25-09-2020 com um brinde junto à comunidade UFBA, presença do Magnífico Reitor, nosso amigo Prefeito do Campus, DA, Professores, todos. Homenageamos Prof Robatto, sua família esteve presente também.
De fato, este ambiente é um aliado à produção discente, docente e atendimento. Por exemplo, receber Profa Dra Taruska Ventorini, mais nova da equipe de professores da Radiologia, em ambiente adequado para continuidade e novos projetos que ela queira. Criamos as regras de uso do Ambulatório, devidamente aprovada na Congregação e seguimos realizando ensino, pesquisa e extensão indissociados!
Assumi então a representação da FOUFBA no Conselho Acadêmico de Pesquisa e Extensão da UFBA (CAPEX), aprendizado amplo sobre o funcionamento e entendimento dos setores sobre pesquisa e extensão! Sob minha visão, este é um órgão pouco ouvido dentro da UFBA, precisa ter mais força e só terá com fortes argumentos. Acreditei junto com Profa Paola (Faculdade Arquitetura da UFBA), à época, Presidente do CAPEX, na construção de indicadores de Pesquisa e Extensão para a UFBA, e fui indicada como Presidente desta Comissão para sua criação. Após longos meses de reuniões, inclusive com Prof Virgilio Bastos (SUPAD), Profa Dra Fabiola Greve (STI), Pró-reitores presentes, este conteúdo foi discutido no Congresso da UFBA e o documento foi entregue ao CAPEX.
Experiência e tanto, cumpri meu mandato e sigo com amigos de outros cursos, aprendizados e abordagens distintas. Em comum, a certeza de fazer um ensino público, gratuito e de qualidade!
Tudo seguindo, Profa Dra Mariangela, tutora do PET à época, anuncia sua aposentadoria. Uma enorme perda para a FOUFBA, o crescimento do olhar sensível e múltiplo sobre alunos e Profs, só consolado pelo caminho que ela segue de partilha, de atuação no psicossocial com tanto amor! Minha admiração e gratidão Mari.
Submeto então meu currículo embebido da vontade de ser Petiana. Na banca, Profa Mariangela, Profa Dra Izabel Viana, Prof Dr Jarlee (tutor de PET UFBA) e Raissa (petiana). Óbvio, fui apertada, espremida, muitooo por Raíssa e eis a pergunta: “Professora, vemos que tem larga experiência no ensino e na pesquisa, mas como pretende fazer extensão com o grupo que trabalha no tripé da indissociabilidade?” Haja aperto! Respondi: “Olha, não sou de filosofar muito, muito falar, o que posso dizer é que tentarei e aprenderei com a ajuda de todos e externa, se preciso for!” Prof Jarlee é do curso de Filosofia, bem Iêda... entrando em gafe!
Nova tutora do PET! Olha aqui a esquina, e que esquina!
Quando acreditamos de fato, acreditamos em Projeto, sugiro continuar seu caminho e mantendo esta chama acessa, ela será alimentada e, se for realmente bom para você, acontecerá! Ao perder, ao não ser convocado em alguma seleção, deixe com você a experiência vivida – e ela é MUITO – siga!
Em Junho de 2017, começo a frequentar mais intensamente o PET. Profa Mariangela, meiga e consciente, fez conosco uma transição responsável e acima de tudo carregada de consideração e amabilidade! Foi muito importante!
O PET, o PET é um mundo! Importante trazer aqui os objetivos que mais apaixonantes no PET (Portaria n976, de 27 de Julho de 2010, do MEC):
“ I - desenvolver atividades acadêmicas em padrões de qualidade de excelência, mediante grupos de aprendizagem tutorial de natureza coletiva e interdisciplinar;
II - contribuir para a elevação da qualidade da formação acadêmica dos alunos de graduação;
III - estimular a formação de profissionais e docentes de elevada qualificação técnica, científica, tecnológica e acadêmica;
IV - formular novas estratégias de desenvolvimento e modernização do ensino superior no país;
V - estimular o espírito crítico, bem como a atuação profissional pautada pela cidadania e pela função social da educação superior;
VI - introduzir novas práticas pedagógicas na graduação; (Incluído pela Portaria MEC nº 343, de 24 de abril de 2013)”
Encantador! Como tudo, a etapa observacional é o início, entender a dinâmica de funcionamento, como os papeis são executados e aos poucos ocupando um papel que, especificamente no PET, é o mesmo de todos, diferindo em tarefas pontuais que são, inclusive, rotativas. Com eles aprimorei meu ouvir, adquiri uma lente aberta, aos poucos me tornei parte desta engrenagem. Com reuniões semanais presenciais, com hora para iniciar, às 13hs e sem hora para acabar, inúmeras vezes saímos da FOUFBA por volta das 19hs. Depois de Março de 2020, com a pandemia, as reuniões passaram a ser virtuais. Nos ouvimos, discutimos, planejamos, executamos, registramos, inovamos... uma ebulição alimentada pela indissociabilidade do tripé ensino, pesquisa e extensão. A riqueza maior do PET vai além de suas ações que apresento. Ser petiano é ser transformador e transformado numa visão universal da vida e da Universidade!
Um encontro tão rico de personalidades: Raissa, Camila, Rana, Dani, Liz, Sarah Bahiana, Natalia Passos, Nathalia Nascimento, Vini, Eder, Illian, Vitor, Mayara, Brenda, Priscila Hayne, Gilda, Iago, Carol, Marianna, Caio, Cat, Pri Manieiri, Rodrigo, Paty, Anyele, Geovanne, Luci, Malu, Julian e agora mais recente Felipe, Swany e Sarah. Cada um, envolvido por sentimentos de admiração e amizade que vão além dos encontros petianos. O PET me transformou! Sou melhor graças e essa experiência e creio que todos deveriam vive-la, discente e docente! Uma construção compartilhada, horizontal, com o fim só: a melhoria!
"Sou um pouco de todos que conheci, um pouco dos lugares que fui, um pouco das saudades que deixei e sou MUITO das coisas que vivi no PET e na FOUFBA!"
Adaptado de ANTONIE DE SAINT-EXUPÉRY

Num dos momentos mais difíceis que vivemos, o início da pandemia, o PET manteve-se junto, lúcido, adaptando-se à crença de “mente sã, corpo são”. Nesta construção coletiva, criamos junto com Prof Fred, Prof Luciano Castellucci, Prof Anderson Freitas e Prof Marcel, o FOUFBA na rede, um projeto com um único propósito inicial: manter-se junto ao aluno! Entendemos ser importante que o aluno veja a FOUFBA no seu dia-a-dia, seus professores, que possa sentir-se parte também. Este projeto envolve uma série de ações para aproximar discente, docentes, funcionários e comunidade: momentos de interação ao vivo no Youtube que se mantem na plataforma para livre acesso a qualquer momento, rede social para divulgação de notícias (@foufbaoficial), rede de comunicação vinculada a Direção da FOUFBA com alunos e funcionários, momentos de compartilhamento de tecnologias e experiência com os docentes, entre outras. Um sucesso! Mais de 2.100 inscritos no canal, quase 30.000 visualizações! Indo além de discentes, docentes e funcionários FOUFBA, numericamente comprovados!
Mas não foi fácil. Vamos conhecer os bastidores? Aqui compartilho uma situação para respeitarmos diferentes modos de ver o mesmo fato e como devemos seguir com ideias nas quais acreditamos: No dia 05-04-2020, o Magnífico reitor da UFBA dirige uma carta à comunidade, pontuando as preocupações e responsabilidades com o momento, deixando claro que não voltaríamos com as atividades nos próximos meses. Em nosso grupo de WhatsApp, muitos professores saudando, apoiando nosso reitor! Sim, também saúdo e compreendo, mas fui além, pois inquietou-me o fato. E agora, que seria de nossos alunos? Como eles estão? Ficarão certamente desmotivados? Sem noticias... e coloquei para o grupo o embrião desta ideia do FOUFBA na rede: “Concordo com tudo que nosso reitor expôs! Minha admiração por ele só cresce! Contudo, o momento é sério e quero compartilhar que tenho sofrido da angústia de pouco produzir para nossos alunos de graduação, fruto de parte importante de nossa existência! Tenho conversado com muitos, tenho concluído artigos com alguns, tenho mantido orientações, a página da radiologia será atualizada mais intensamente com material para que possam interagir! Mas, sinceramente, creio que precisamos fazer mais como docentes! Entendo o contexto, entendo a surpresa, inclusive de alunos que não teriam acesso, mas tenho um sentimento de abandono da formação e da continuidade universitária! Enfim! Desabafo! Marcel o que você tem visto? Algo q possamos contribuir?”
Fui duramente criticada por alguns colegas que acreditavam ser o momento de reflexões existencialistas e por aí! Concordei, mas podemos fazer as reflexões, ir além inclusive, mas podemos também fazer esse pequeno gesto de manter-nos próximos, há de existir os que se sintam contemplados. Nem todos pensam igual. E assim, estes bravos cinco professores, apoiadores de imediato da ideia, trabalharam arduamente com o apoio do PET e conduzem distintamente esse maravilhoso projeto.
A pandemia nos colocou à prova em todos os sentidos. A UFBA realizou um Congresso Virtual sem precedentes, pudemos ter acesso a conteúdos de fato universais! Estão disponíveis para quem tiver interesse. Inclusive levamos a discussão sobre o desafio do Curso de Odontologia com a pandemia e o Lançamento da Revista Anamnese. Espaços conquistados para a FOUFBA neste Congresso tão importante. Ao construir o Semestre suplementar (SLS), um desafio para todos e, particularmente para mim, engrandecedor, lidar com o compartilhamento de conteúdo de forma virtual agora, online. Mergulhamos nesse processo um tanto atrasados, a geração com a qual compartilhamos já vive no mundo virtual. Então estive assistindo palestras, cursos, montamos no FOUFBA na rede um momento só para essa capacitação docente, aprender é bom demais! E ainda ganhei um aditivo: convite das amigas Profa Dra Marcelle Rossi, Profa DraAndrea Cavalcante e Profa Dra Viviane Maia (esquina aqui novamente) para participar dos componentes curriculares comandados por elas, Anatomia Cirúrgica Orofacial e Potencializando Produções Científicas! Sai da minha zona de conforto, aulas prontas sobre todos os temas da Radiologia e mergulhei fundo em preparar conteúdo aliando minha experiência e de forma interativa para falara a língua de nossos alunos com mais sucesso! Estou amando cada instante! Gratidão meninas e Prof Fred, presente também neste mergulho com estes componentes curriculares!
Nesse contexto, é possível compreender meu envolvimento e construção na FOUFBA, ensino, pesquisa, extensão, extensivamente à Odontologia e à sociedade! Conforme visível nos últimos produtos alcançados (citações)! Demonstrei neste memorial uma ínfima parte do que julgo carregar para ter mérito ao título, pois um convívio diário, os momentos de planejamento, de pensar e agir não cabem em palavras. Como exponho e envolvo a alma em tudo que sou e faço, tentei explicitar amorosamente cada construção sólida, ações pontuais e também ações permanentes que realizei com a FOUFBA e comunidade, mas entendo que meu maior legado foi partilhar vidas, e quando possível colaborar com o crescimento de cada uma.
“Ser equipe: substituir competitividade por solidariedade, trajetória pessoal por institucional e realizar projetos juntos!”
Ieda Crusoé-Rebello
